quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Tradução de entrevista de Elena Radionova


Elena Radionova conquistou os corações de muitos fãs de patinagem artística quando ainda estava no escalão júnior. Depois de uma excelente transição para os seniores, onde venceu várias medalhas, Elena ficou de fora da selecção nacional russa para os europeus e mundiais da temporada passada. Elena está determinada em volta aos maiores palcos internacionais em grande nível e quer segurar um lugar na equipa russa para os próximos Jogos Olímpicos de Inverno. Entretanto, Elena concedeu uma entrevista à conceituada jornalista Elena Vaytsekhovskaya. Podem ler a tradução em baixo e consultar o link original aqui: http://www.sport-express.ru/se-velena/reviews/elena-radionova-menya-osuzhdayut-za-smenu-trenera-ya-gotova-k-etomu-1294133/




Tradução de entrevista

Pergunta: Como é que é ter subido tão alto em 2015 para depois seres descartada um ano depois?

Elena – Quase todos os patinadores passam por fases más. Então eu não fui descartada. Acho que foi uma hipótese para pensar e reconsiderar algumas coisas. Para perceber o que eu fiz de errado.

Pergunta: Tu habituaste toda a gente a seres capaz de competir; tu estavas sempre por cima das situações mesmo se tivesses patinado no limite. O que é que mudou? Quando é que apareceu a sensação de que as coisas estavam a correr mal?

Elena – Acho que desde o início da temporada. Eu tive lesões, depois fiquei doente e cheguei aos testes* sem estar preparada. Eu tentei ficar em forma durante a época mas não consegui. Eu compreendi que não tive a preparação que necessitava e estava a faltar o contacto habitual com a treinadora. Cada uma destas coisas em separado não foi nada de mais mas tudo junto levou a isso.

*referência à semana de testes na Rússia em que os patinadores apresentam os seus programas e elementos novos aos responsáveis da federação.

Pergunta: O Sergei Voronov e posteriormente o Maxim Kovtun juntaram-se ao grupo e a tua treinadora teve de dividir a atenção dela – quanto é que isso influenciou?

Elena – Eu tive excelentes treinos com o Maxim e o Sergei. Eu estive sempre focada em mim mesma então os rapazes apenas me motivavam.

Pergunta: Os parceiros de treino têm outro lado; durante muitos anos tu foste a única patinadora da tua treinadora e de repente passaste a ser apenas mais uma atleta, provavelmente nem sequer a principal atleta. Penso que isso não foi agradável de perceber?

Elena – Nessa altura eu recebi muita ajuda da Tatiana Tarasova. Então eu não me senti excluída.

Pergunta: Ela aconselhou-te a mudar de treinadora?

Elena – Não. A ideia foi minha.

Pergunta: Durante os campeonatos nacionais russos em Dezembro, passou-te pela cabeça que não conseguirias chegar à selecção?

Elena – Eu nem sequer estava a pensar na classificação; Eu apenas pensei em patinar ambos os meus programas de forma limpa. Mentalmente eu estava preparada. No geral eu apenas cometi um erro – um toque no gelo na recepção no triplo loop. Não foi uma falha terrível mas fiquei em quinto lugar. Talvez outra pessoa ficasse muito chateada. Eu convenci-me que eu apenas tinha de continuar. Sim, eu perdi. Acontece. É desporto.

Pergunta: Foi difícil não desistir sabendo que irias aos europeus nem aos mundiais?

Elena – Claro. Todos queremos vencer e cada derrota é dura. Eu obriguei-me a pensar nos Jogos Universitários; que eu tinha de patinar bem aí para ter uma hipótese de participar no WTT (World Team Trophy). Eu ganhei essa hipótese. Então eu não posso dizer que perdi os campeonatos nacionais e que a época acabou. Foi o oposto – aquela derrota fez-me ficar mais concentrada. Essa foram as coisas positivas dessa situação. No tempo que eu tive, eu pude analisar o que aconteceu e o que eu precisava fazer para melhorar e trabalhar nos erros que eu cometi.

Pergunta: Esses erros foram culpa tua? Ou foram as circunstâncias?

Elena – Claro que foram culpa minha.

Pergunta: O quê?

Elena – Não estou disposta a falar sobre isso agora. É suficiente que saiba as razões e que trabalhe nelas.

Pergunta: A (Shae-Lynn) Bourne coreografou o teu programa curto da temporada passada e depois toda a gente começou a dizer que ela 100% a tua coreógrafa. Esta é a razão pela qual foste trabalhar com ela outra vez?

Elena – Eu amei o programa e como foi recebido então eu decidi que na temporada seguinte eu iria trabalhar com a Shae-Lynn em pelo menos mais um programa.

Pergunta: Não estavas a planear manter esse programa curto por mais uma temporada?

Elena – Não é que eu estivesse a planear isso mas realmente gostaria de mantê-lo. Quando eu comecei a trabalhar com a Buyanova, de repente, ela disse que adoraria manter o programa por mais uma época, então nós chegámos a um acordo. Daí surgiu a ideia que a Shae-Lynn também coreografasse o programa livre. Eu adoro o estilo dela e nós temos um bom entendimento quando trabalhamos no gelo.

Pergunta: O que é que gostas mais quando trabalhas com a (Shae-Lynn) Bourne?

Elena – A Shae-Lynn tem o seu próprio estilo de patinagem que é muito da América do Norte. É diferente do nosso. Existem muitos pequenos detalhes que tu tens de efectuar com as pernas e os canadianos certificam-se sempre que cada movimento seja integrado na música.

Pergunta: É difícil?

Elena – Podes ter a certeza. O programa começa a brilhar quando acertas mesmo nos acentos da música. Para isso é preciso ouvir a música, sentir o tempo e tudo entra em piloto automático. Outra coisa que eu adoro no trabalho da Shae-Lynn é que todos os programas dela são muito diferentes. Ela consegue sempre trazer alguma coisa nova. Se seguires o trabalho de alguns coreógrafos, tu podes encontrar os mesmos passos e figuras que são repetidos noutros programas. A Shae-Lynn tem trazido coisas novas. Coisas diferentes dos outros.

Pergunta: A Tarasova disse uma vez que não faz mal manter o mesmo plano de elementos nos programas; quase todos os patinadores fazem isso.

Elena – Isso não é interessante. Olha para a Ashley Wagner – os programas dela são tão diferentes e, além disso, eu penso que a patinagem artística tem sobretudo a ver com o deslizar e expressar emoções. Claro que os saltos são importantes mas o público vem primeiramente ver-nos a patinar.

Pergunta: Tu mudaste de treinadora e de sistema. O que é que sentes sobre isso?

Elena – Francamente às vezes é difícil. O horário não é assim tão diferente mas há muito mais trabalho no deslizar e nos programas. Eu aprendo a patinar focada em cada movimento. Já não há apenas a passagem de um salto para o outro.

Pergunta: Era o que acontecia anteriormente?

Elena – Era como se eu estivesse mais focada apenas nos saltos. Agora as entradas exigem mais tempo e esforço do que o salto. É muito trabalho em cada movimento, em cada passo.

Pergunta: Provavelmente seria mais fácil se ainda não tivesses títulos.

Elena – O que é que queres dizer com isso?

Pergunta: Que alguém com experiência e com títulos tem mais dificuldade em admitir que não sabe alguma coisa ou demonstrar que não consegue fazer alguma coisa…

Elena – Pelo contrário. Eu vim aqui para aprender então eu escuto cada palavra. Há muitos especialistas que trabalham comigo e eu aprendo com cada um deles. É óptimo!

Pergunta: Os teus parentes tentaram fazer-te mudar de ideias quanto à mudança de treinadora?

Elena – Não.

Pergunta: Seguramente que discutiste o assunto com alguém.

Elena – Os meus pais sabiam que eu tinha essa ideia em mente. Eu e a minha mãe somos muito próximas; ela sempre teve uma grande presença na minha vida e ela sabia dos meus problemas e hesitações. Então, quando eu disse em casa que tinha tomado uma decisão, os meus parentes aceitaram-na. Isto ainda é um assunto difícil. Eu sou grata à Nina Germanovna por tudo o que ela fez por mim mas às vezes chega-se a um ponto sem retorno. Já não há o entendimento que costumava existir, algo já não funciona, o trabalho já não é satisfatório, já não há alegria e tudo o que parecia tão certo na tua vida se desvanece. Eu percebi o quanto eu devo à minha treinadora, o tempo que ela investiu em mim com o seu conhecimento, o seu amor e a sua alma. Mas o sentimento de ponto sem retorno prevaleceu.

Pergunta: Ficaste preocupada com o que iria ser dito sobre a mudança?

Elena – Na patinagem artística percebes muito cedo que existem pessoas que simplesmente gostam de ti e outras pessoas a quem tu irritas. Claro que eu sabia que as pessoas me iam julgar e estava preparada. Afinal de contas todos temos direito a ter uma opinião.

Pergunta: Tu já te tinhas ajustado com treinares apenas junto de patinadores homens. Quão confortável é que estás com a garota? A Maria Sotskova treina contigo na mesma pista.

Elena – Nós raramente passamos tempo juntas no gelo. Até agora tem corrido tudo bem.

Pergunta: A Maria irrita-te?

Elena – Não de todo. Eu simplesmente não tenho tempo para olhar à volta. Tenho tanta informação para digerir. Como se eu agora precisasse de lutar pela atenção da treinadora… Eu tenho um plano sobre o que necessito fazer e isso é o mais importante.

Pergunta: Estás a planear tornar os programas mais complexos?

Elena – Vamos apenas dizer que tenho coisas a discutir com a treinadora. Para já estamos a tratar de pequenas correcções. O grau de dificuldade actual é suficiente para mim.

Pergunta: As palavras “temporada olímpica” têm um significado especial para ti?

Elena – Francamente não. Eu não quero pensar sobre isso com muita antecedência. Eu tenho de trabalhar. Depois logo se vê.

Pergunta: Se tivesses a possibilidade de escolher as tuas provas do circuito do Grande Prémio, quais é que escolherias?

Elena – Russia e China – precisamente os que eu recebi. Eu patinei o grande prémio da China nas duas últimas temporadas e sou amada lá; É o país onde eu venci a minha primeira medalha num mundial e adoro patinar lá. E casa é casa. Eu adoro patinar para o público russo. O timing também é excelente: a Taça Rostelecom (Rússia) é a primeira e a Taça da China é a terceira, e, se tudo correr bem, eu terei tempo suficiente para me preparar para as próximas competições.

Pergunta: Quando olhei para as inscrições e vi que na primeira prova ias competir com a campeã mundial Evgenia Medvedeva, eu recordei-me de 2015 quando competiste com a Tuktamysheva. Tu não cometeste erros na final do Grande Prémio e nos Europeus mas nessas duas vezes ficaste atrás dela, nos Europeus por uma margem de apenas 0.86. Como é que te sentiste nessa altura?

Elena – Claro que eu fiquei muito chateada. Mas eu era uma criança que queria mesmo ganhar só que perdi. Agora eu vejo as coisas de maneira diferente. Foi a minha primeira temporada sénior, primeiros europeus e mundiais, e eu penso que estive bem para uma estreante. Sim, podia ter vencido os Europeus e ficado com o título mas do que é que vale estar a falar nisso agora? Se calhar as coisas tinham de acontecer assim.

Pergunta: Alguma vez te cansas da patinagem artística?

Elena – Não. Eu amo patinar, é a minha vida e como é que te podes cansar da vida? Além disso eu tenho outras coisas. Como por exemplo os estudos. Eu sou estudante externa.

Pergunta: É muito exigente e requer auto-disciplina.

Elena – Não tenho problemas com isso. Quando sei o que tenho de fazer, faço-o. Na escola era a mesma coisa. Eu estudava entre os treinos, tinha professores privados à noite e trabalhava nas matérias escolares e em inglês. Foi difícil mas fiz os meus exames sem problemas. Eu sei que sou eu que preciso disto.

Pergunta: Quando trabalhas com a Shae-Lynn, vocês falam em inglês?

Elena – Sim. Inicialmente, eu estava tensa mas depois fiquei mais confortável e comecei a falar. Eu percebi que tinha de praticar independentemente do que fizesse. Depois as coisas vão provavelmente funcionar.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Calendário de provas 2017/2018

Calendário de provas na temporada 2017/2018





Os eventos mais importantes:


- Final do circuito do Grande Prémio Sénior e do circuito do Grande Prémio Júnior em Nagoya (Japão) - de 7 a 10 de Dezembro de 2017
- Campeonatos da Europa em Moscovo (Rússia) - de 15 a 21 de Janeiro de 2018
- Campeonatos dos 4 Continentes em Taipei (Taipé Chinês) - de 22 a 27 de Janeiro de 2018
- Jogos Olímpicos de Inverno em PyeongChang (Coreia do Sul) - de 9 a 25 de Fevereiro de 2018
- Campeonatos do Mundo de Juniores em Sofia (Bulgária) - de 5 a 11 de Março de 2018
- Campeonatos do Mundo de Seniores em Milão (Itália) - de 19 a 25 de Março de 2018


Circuito do Grande Prémio Sénior


- Grande Prémio Taça Rostelecom em Moscovo (Rússia) - de 20 a 22 de Outubro de 2017
- Grande Prémio Troféu Skate Canada em Regina (Canadá) - de 27 a 29 de Outubro de 2017
- Grande Prémio Taça da China em Beijing (China) - de 3 a 5 de Novembro de 2017
- Grande Prémio Troféu NHK em Osaka (Japão) - de 10 a 12 de Novembro de 2017
- Grande Prémio Internationaux de France em Grenoble (França) - de 17 a 19 de Novembro de 2017
- Grande Prémio Skate America em Lake Placid (Estados Unidos) - de 24 a 26 de Novembro de 2017


Circuito do Grande Prémio Júnior


- Grande Prémio Júnior de Brisbane (Austrália) - de 23 a 26 de Agosto de 2017
- Grande Prémio Júnior de Salzburgo (Áustria) - de 31 de Agosto a 2 de Setembro de 2017
- Grande Prémio Júnior de Riga (Letónia) - de 6 a 9 de Setembro de 2017
- Grande Prémio Júnior de Minsk (Bielorrússia) - de 20 a 24 de Setembro de 2017
- Grande Prémio Júnior de Zagreb (Croácia) - de 27 a 30 de Setembro de 2017
- Grande Prémio Júnior de Gdansk (Polónia) - de 4 a 7 de Outubro de 2017
- Grande Prémio Júnior de Egna/Bolzano (Itália) - de 11 a 14 de Outubro de 2017


Circuito Challenger Series


- US International FS em Salt Lake City (Estados Unidos) - de 13 a 17 de Setembro de 2017
- Troféu da Lombardia em Bergamo (Itália) - de 14 a 17 de Setembro de 2017
- Autumn Classic International em Montreal (Canadá) - de 20 a 23 de Setembro de 2017
- Troféu Ondrej Nepela em Bratislava (República Eslovaca) - de 21 a 23 de Setembro de 2017
- Troféu Nebelhorn em Oberstdorf (Alemanha) - de 27 a 30 de Setembro de 2017
- Troféu Finlândia em Espoo (Finlândia) - de 6 a 8 de Outubro de 2017
- Minsk Arena Ice Star em Minsk (Bielorrússia) - de 26 a 29 de Outubro de 2017
- Taça de Varsóvia em Varsóvia (Pólónia) - de 16 a 19 de Novembro de 2017
- Troféu Tallinn em Tallinn (Estónia) - de 21 a 26 de Novembro de 2017
- Golden Spin of Zagreb em Zagreb (Croácia) - de 6 a 9 de Dezembro de 2017


Outros eventos importantes:


- Lake Placid Ice Dance International em Lake Placid (Estados Unidos) - de 27 a 29 de Julho de 2017
- Troféu Asian Open Figure Skating em Hong Kong (China) - de 2 a 5 de Agosto de 2017
- Philadelphia Summer International em Filadélfia (Estados Unidos) - de 3 a 5 de Agosto de 2017
- Sea Games em Kuala Lumpur (Malásia) - de 26 a 27 de Agosto de 2017
- Open da Eslovénia em Celje (Eslovénia) - de 2 a 3 de Setembro de 2017
- Taça de Nice Internacional em Nice (França) - de 11 a 15 de Outubro de 2017
- Taça Kaunas Ice Autumn em Kaunas (Lituânia) - de 19 a 22 de Outubro de 2017
- Taça Internacional Halloween em Budapest (Hungria) - de 21 a 23 de Outubro de 2017
- Crystal Skate em Bucareste (Roménia) - de 24 a 28 de Outubro de 2017
- Golden Bear em Zagreb (Croácia) - de 25 a 29 de Outubro de 2017
- Taça Denkova & Staviski em Sofia (Bulgária) - de 31 de Outubro a 4 de Novembro de 2017
- Taça no gelo Tirnavia Riedell em Trnava (República Eslovaca) - de 2 a 5 de Novembro de 2017
- Leo Scheu Memorial em Graz (Áustria) - de 8 a 12 de Novembro de 2017
- Taça Volvo Open em Riga (Letónia) - de 8 a 12 de Novembro de 2017
- Ice Challenge em Graz (Áustria) - de 9 a 12 de Novembro de 2017
- Taça Merano em Merano (Itália) - de 16 a 19 de Novembro de 2017
- Open de Andorra em Canillo (Andorra) - de 22 a 26 de Novembro de 2017
- Skate Celje em Celje (Eslovénia) - de 22 a 26 de Novembro de 2017
- Taça do Tirol em Innsbruck (Áustria) - de 20 a 25 de Novembro de 2017
- Troféu Shanghai em Xangai (China) - de 24 a 26 de Novembro de 2017
- Taça Santa Claus em Budapeste (Hungria) - de 4 a 10 de Dezembro de 2017
- Taça Istambul Bósforo em Istambul (Turquia) - de 12 a 16 de Dezembro de 2017
- Grande Prémio de Bratislava em Bratislava (República Eslovaca) - de 15 a 17 de Dezembro de 2017
- FBMA em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) - de 4 a 7 de Janeiro de 2018
- Troféu EduSport em Bucareste (Roménia) - de 4 a 7 de Janeiro de 2018
- Open da Baviera em Oberstdorf (Alemanha) - de 23 a 28 de Janeiro de 2018
- Taça Europa Skate Helena em Belgrado (Sérvia) - de 23 a 27 de Janeiro de 2018
- Jogos Internacionais de Reiquiavique (Islândia) - em 28 de Janeiro de 2018
- Taça Mentor Torun em Torun (Polónia) - de 30 de Janeiro a 4 de Fevereiro de 2018
- Open Ice Mall em Eilat (Israel) - de 31 de Janeiro a 2 de Fevereiro de 2018
- Open Nordics em Rovaniemi (Finlândia) - de 1 a 4 de Fevereiro de 2018
- Open de Sarajevo em Sarajevo (Bósnia e Herzegovina) - de 2 a 4 de Fevereiro de 2018
- Troféu Egna Dance em Egna (Itália) - de 3 a 4 de Fevereiro de 2018
- Troféu Sofia em Sofia (Bulgária) - de 6 a 11 de Fevereiro de 2018
- Troféu Dragon e Taça Tivoli em Ljubljana (Eslovénia) - de 8 a 11 de Fevereiro de 2018
- Olympic Hopes em Bucareste (Roménia) - de 15 a 18 de Fevereiro de 2018
- Taça Jegvirag em Miskolc (Hungria) - de 16 a 18 de Fevereiro de 2018
- Taça Challenge em Den Haag (Holanda) - de 22 a 25 de Fevereiro de 2018
- Coupe de Printemps em Luxemburgo (Luxemburgo) - de 16 a 18 de Março de 2018
- Troféu Triglav e Taça Narcisa em Jesenice (Eslovénia) - de 4 a 8 de Abril de 2018
- Troféu Egna Spring em Egna (Itália) - de 5 a 8 de Abril de 2018
- Taça Ephesus em Izmir (Turquia) - de 9 a 17 de Abril de 2018
- Taça Team Challenge em local ainda a designar (Estados Unidos) - de 13 a 15 de Abril de 2018
- Taça Rooster em Courbevoie (França) - de 20 a 22 de Abril de 2018

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Tradução de entrevista de Evgenia Medvedeva


A bicampeã mundial Evgenia Medvedeva concedeu recentemente uma entrevista à jornalista Olga Ermolina. Evgenia demonstrou mais uma vez a sua maturidade e revelou as músicas escolhidas para os seus novos programas. A jovem patinadora aproveitou também para manifestar o seu amor pelo Japão.


Evgenia Medvedeva


TRADUÇÃO DE ENTREVISTA

Olga Ermolina – Evgenia, para ti este calendário tenso é usual: os programas novos, os exames da escola, umas pequenas férias, o estágio, espectáculo, baile de finalistas, outro espectáculo e depois de volta ao trabalho?

Evgenia Medvedeva – Tudo o que disseste faz parte da minha vida. É a minha escolha. E há sempre uma escolha. Há sempre uma maneira mais fácil. Mas a maneira mais fácil não é necessariamente a correcta. A patinagem artística, tal como qualquer outro desporto, é exigente. Se tiveres sorte a tua profissão é também o teu passatempo. Então os treinos são uma alegria. É assim que as coisas acontecem para mim.

Olga Ermolina – Podes falar sobre os teus novos programas?

Evgenia Medvedeva – Para o programa curto nós escolhemos “Nocturne N.º 20, C-Sharp Minor, Op. Posth” de Chopin tocada por Joshua Bell. Para o livre, “January Stars” de George Winston, “Departure” (Lullaby) de Max Ritcher e “Pacem 2” de Donna Nobis. Nós começamos a trabalhar nos programas no início de Junho. Eles foram coreografados pelo Daniil Gleihengause e o Ilya Averbukh em conjunto com a treinadora Eteri Tutberidze. Eu vou patinar os meus novos programas nos testes em Sochi. Quanto à nova exibição, esta é feita com música do filme “Anna Karenina” e vou patiná-la no espectáculo em Yokohama. Mas ainda não será a versão final. Nós vamos continuar a trabalhar para melhorar a exibição durante a temporada.

Olga Ermolina – Existirão algumas mudanças técnicas?

Evgenia Medvedeva – Eu vou manter os elementos que tinha para o programa curto. Nós tentámos elevar a dificuldade no programa livre e passámos a primeira combinação triplo-triplo para a segunda parte do programa. Agora eu só vou ter um salto na primeira parte.

Evgenia Medvedeva


Olga Ermolina – Muitos patinadores participam em espectáculos durante o Verão. É divertido ou uma maneira de ganhar dinheiro ou outra coisa?

Evgenia Medvedeva – Isso depende da abordagem. Para mim o espectáculo no início da época é uma forma de ligar-me à audiência, recordar a sensação de estar sozinha no gelo com tantos olhos focados em mim. Eu não sei como é que é para os outros mas cada vez que eu vou para a pista, seja para um espectáculo ou para uma competição, há sempre adrenalina, nervos e um certo estado de espírito. De certo modo um espectáculo assemelha-se a uma competição. E, obviamente, eu tenho de cumprir as minhas obrigações. Normalmente a participação num espectáculo é decidida com antecedência.

Olga Ermolina – Aconteceu alguma coisa de especial no último espectáculo?

Evgenia Medvedeva – O mais interessante é conhecer pessoas, atletas que ainda não conheceste e que te inspiraram durante a tua carreira desportiva.

Olga Ermolina – Como por exemplo?

Evgenia Medvedeva – Há muitos. Por exemplo eu estava interessada em ver o Johnny Weir, para ver como ele sente o gelo, como é que ele patina. Eu não cheguei a vê-lo competir; nunca o tinha visto patinar ao vivo.  Nós conhecemo-nos no Japão e eu tive a oportunidade de assistir aos seus treinos. Eu fiquei muito surpreendida com o facto do Johnny falar russo sem sotaque.

Olga Ermolina – E que como vais com as línguas estrangeiras?

Evgenia Medvedeva – Eu quero muito aprender japonês, melhorar o meu inglês e ler muitos livros. Na escola, eu não tive tempo por isso eu tenho uma lista do que eu devo ler.

Olga Ermolina – Durante as férias tu foste ao Japão e à China. Outra vez o Japão?

Evgenia Medvedeva – Sim, eu amo esse país. Eu já lá estive várias vezes mas foi durante competições quando eu estava totalmente focada no meu trabalho. Eu quero aprender mais da história, da cultura e ver o verdadeiro Japão – Osaka, Kyoto, visitar Tóquio. Nós passámos dois dias em Tóquio. Nós perdemo-nos e tivemos de usar o GPS para encontrar o hotel. Nós andámos 8KM. Foi tão bom. Eu vi o palácio imperial, os altares, andámos nas pequenas ruas de Kyoto, desfrutámos da natureza japonesa, experimentei roupa tradicional e, claro está, a comida japonesa. Eu quis experimentar tudo!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tradução de entrevista de Tatiana Tarasova

A lendária treinadora Tatiana Tarasova concedeu uma entrevista a uma jornalista russa Elena Sobol em que respondeu às questões com a sua habitual frontalidade. Tarasova não se coibiu de demonstrar a sua falta de esperança em Adelina Sotnikova e Julia Lipnitskaya, para além de apontar o dedo a Maxim Kovtun e Mikhail Kolyada. Podem ler a tradução aqui em baixo e espero que gostem do trabalho.



Elena Sobol – Tatiana Anatolievna, o que é que tem feito durante o interregno entre temporadas?

Tatiana Tarasova – Estou de férias até ao meio de Julho e depois tratarei de coisas referentes ao meu trabalho como comentadora. Eu vou aprender coisas novas para poder comentar no futuro – as regras vão ser um pouco modificadas. Eu também estarei presente em alguns seminários para juízes para obter a informação correcta que depois vou processar e projectar para os telespectadores. Os telespectadores são diferentes. Agradeço-lhes por me adorarem como comentadora. Eles enviaram-me tantas mensagens que eu senti-me apoiada e amada.

Elena Sobol – E com razão.

Tatiana Tarasova – Eu tenho de corresponder então estou a planear reunir nova informação antes dos Jogos Olímpicos. Eu planeio ir aos rinques em Julho, ver os testes. Os testes dos juniores em Agosto e os testes dos seniores em Setembro em Sochi. Eu penso que o tempo antes da temporada começar vai passar muito depressa.

Elena Sobol – Algum patinador pediu a sua ajuda antes da temporada Olímpica?

Tatiana Tarasova – Não. Os nossos patinadores estão acompanhados e eu nem sequer estou a considerar os pedidos de patinadores estrangeiros, apesar de terem havido alguns.

Elena Sobol – Porque é a época Olímpica?

Tatiana Tarasova – Porque eu decidi assim.

Elena Sobol – E que é que vai apoiar?

Tatiana Tarasova – Eu já apoiei quem tinha de apoiar.

Elena Sobol – O que é que a fez feliz e o que é que a chateou na temporada passada?

Tatiana Tarasova – A época acabou e não vale a pena discutir. Todos estão a descansar. Vai haver uma época nova e um novo frenesim. O meu falecido pai costumava dizer “Olha para a frente. Vai em frente”.

Elena Sobol – E o que há em frente?

Tatiana Tarasova – Os Jogos Olímpicos. Eu espero uma luta para entrar na selecção. Os 30mx60m vão decidir. A nova temporada vai começar e os patinadores irão alcançar novos objectivos.




Elena Sobol - Você pensa que Medvedeva vai conseguir? Ela vai ter de provar que ela é a líder.

Tatiana Tarasova – Nós vamos ter de esperar e estar agradecidos pelo que ela e a Eteri Tutberidze têm feito a cada ano. Eu vou debater isso.

Elena Sobol – Você gosta da Medvedeva?

Tatiana Tarasova – Como não posso gostar? Ela é bicampeã mundial.

Elena Sobol – Você acredita que Adelina Sotnikova, campeã olímpica em 2014, irá regressar ao seu nível anterior?

Tatiana Tarasova – Não.

Elena Sobol – Você acredita no Plushenko como treinador?

Tatiana Tarasova – Quando ele der provas então eu acreditarei.




Elena Sobol – A Alina Zagitova está prestes a começar a sua carreira sénior. Ela e a treinadora vão decidir se ela irá tornar-se sénior nesta temporada.
Tatiana Tarasova – Eu falei nisso desde que vi a Alina. Eu disse que aquela menina, estando a patinar e a progredir como tem feito, pode vencer os Jogos Olímpicos. Ela é muito interessante e tem um potencial enorme.

Elena Sobol – Ela deve precipitar as coisas?

Tatiana Tarasova – Ela tem uma boa treinadora que deve responder a essa pergunta. Guardar-se como aconteceu com Stolbova & Klimov nunca devia ser feito. 

Elena Sobol – A Elena Radionova mudou-se para o grupo de Elena Buyanova. Esta vai ser uma relação de trabalho interessante?

Tatiana Tarasova – Sim. A Buyanova sabe como trabalhar com raparigas; resulta bem para ela. Elas já têm programas interessantes, um deles foi feito pelo Peter Tchernyshev. No que diz respeito à parte técnica isso é da responsabilidade da treinadora.

Elena Sobol – Será que iremos ver a Julia Lipnitskaya novamente?
Tatiana Tarasova – Eu penso que não. Ela é uma estrela que brilhou no seu tempo e agradecemos-lhe isso. A Julia foi uma pérola dos Jogos Olímpicos de Sochi. Ela jamais será esquecida – a menina do vestido vermelho. O grande Spillberg enviou-lhe uma carta. Tu alguma vez recebeste uma carta dessas? Não. Eu também não. Mas ela recebeu. Ela foi totalmente reconhecida. Foi o caminho dela. Um novo caminho se abrirá para ela.




Elena Sobol – Os estado da nossa patinagem masculina está longe de ser alegre. O que você nos pode dizer sobre Kovtun? Ele conseguiu medalhas nos Europeus e no World Team Trophy deste ano. Ele progrediu?

Tatiana Tarasova – O progresso às vezes não tem a ver com classificações pois não está relacionado. Há uns tempos ele foi o primeiro a incluir dois quádruplos no programa curto. Agora já não faz isso. Ele costumava arriscar 3 quádruplos no programa livre e já não o faz. De que progresso é que eu posso falar? Ele foi 4.º nos mundiais e agora é 10.º. É um retrocesso. Eu gosto do Maxim mas ele pensou que tinha todo o tempo do mundo. O tempo tem os seus limites. Ele devia trabalhar muito duro. O que é que eu posso dizer sobre o Kovtun ou até sobre o Kolyada? Eles têm de chegar lá e patinar. Ter um “enorme potencial”… Talvez eu seja demasiado exigente. Mas eu não sei ser de outra forma – o meu pai costumava dizer que se era despedido por ter a medalha de prata. Para mim o único lugar que existe é o primeiro. Eles têm o que é preciso para se tornarem primeiros, ou pelo menos conseguir uma medalha, mas eles mal conseguem chegar ao top 10. Ninguém os proíbe de nada. Eles deviam reconsiderar o seu sistema de preparação juntamente com os seus treinadores. Há qualquer coisa que não está a funcionar. E dizer “nós estamos a aprender”… Tu fazes o que fazes. Houve patinadores que integraram novos quádruplos durante a temporada. Então por agora eu não posso responder nada sobre o progresso de Kovtun e de Kolyada. Eu posso afirmar com confiança que não existe progresso.

Elena Sobol – Falando de quádruplos – as senhoras começaram a apresentá-los nos treinos. Esta é uma direcção interessante?

Tatiana Tarasova – Eu gosto.

Elena Sobol – Você acha que Volosozhar & Trankov deviam continuar a competir?

Tatiana Tarasova – Cada um precisa encontrar a sua motivação e a sua força. Essa é que é a questão. Um ponto importante para eles.

Elena Sobol – E Kavaguti & Smirnov?

Tatiana Tarasova – Eu não posso falar por eles mas se tivesse no seu lugar eu não voltaria. São demasiadas lesões. Além disso parece que o Alexander quer tornar-se treinador. Para já ele tem uma professora com quem aprender – a Tamara Nikolaevna Moskvina. Não é comum que os grandes atletas queiram tornar-se treinadores e isso é de apreciar.

Elena Sobol – Você imagina o Trankov como treinador?

Tatiana Tarasova – No passado eu sei que ele quis. Não falei com ele recentemente. O caminho de um treinador é longo. É toda uma vida. Por exemplo, a Nina Mozer tem sido treinadora desde muito jovem, enquanto a sua mãe ainda era treinadora. No entanto, os seus primeiros Jogos Olímpicos foram os de Sochi, quando o público se apercebeu dela.

Elena Sobol – O que é que você pode dizer sobre Tarasova & Morozov?

Tatiana Tarasova – Eles estiveram muito bem este ano. A Tarasova é uma heroína.

Elena Sobol – Eles têm estado na sombra de Stolbova & Klimov?

Tatiana Tarasova – Isso não é verdade. Deixem Stolbova & Klimov em paz, deixem o seu talento em paz. Se eles se recuperarem serão a nossa grande alegria. O ano passado eles foram fuzilados logo à partida…

Elena Sobol – Os dançarinos Bobrova & Soloviev tornaram-se 5.ºs e Stepanova & Bukin 10.ºs.

Tatiana Tarasova – É o melhor resultado que eles podiam ter esperado.

Elena Sobol – É um resultado objectivo?

Tatiana Tarasova – Tu achas que eles foram rebaixados nas notas?

Elena Sobol – Existiram opiniões nesse sentido depois dos mundiais em Helsínquia.

Tatiana Tarasova – Os que dizem isso deviam realmente abrir os olhos e ver quem patinou de que maneira. A Katia e o Dima, que perderam duas temporadas, estiveram muito bem para o seu nível. O que é que nós podemos tentar na categoria de dança? Estes patinadores estão em quinto. Eles devem ficar em quinto nos Jogos Olímpicos se trabalharem no duro e prepararem novos programas interessantes. Já seria um grande resultado.

Elena Sobol – Quantas medalhas é que nós devemos esperar obter nos Jogos Olímpicos?

Tatiana Tarasova – Seria excelente se as meninas conseguissem duas medalhas. Há a hipótese de uma medalha nos pares mas depende de qual. Para alguns a medalha de bronze é muito boa, para outros é um falhanço. Vamos fazer o nosso melhor. Afinal nós não fazíamos ideia que iríamos estar tão bem em Sochi. Mas correu bem. Eu desejo que todos estejam saudáveis e sem dores. Que Stolbova & Klimov recuperem das suas lesões que evitaram que eles estivessem no seu melhor. Que a Evgenia Medvedeva encontre o seu estilo. Que todos melhorem. Brevemente veremos os resultados. Nós temos de ser pacientes.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Tradução de entrevista do treinador Alexander Zhulin


O prestigiado treinador e coreógrafo Alexander Zhulin concedeu uma entrevista a um órgão de comunicação social da Rússia onde falou sobre os mais recentes desenvolvimentos no seu grupo de trabalho. O principal destaque vai para as palavras sobre o par Sinitsina & Katsalapov.

A publicação original da entrevista pode ser encontrada neste link: http://rsport.ru/interview/20170530/1121152014.HTML




Tradução de entrevista

Alexander Zhulin – A dança livre de Bobrova & Soloviev está pronta; temos de patiná-la para limar as arestas e depois Poklitaru (*coreógrafo russo) vai visitar-nos algumas vezes para dar os retoques finais. Nós tivemos uma colaboração criativa muito boa; eu gostei.

Entrevistador – Tu tens preocupações em trabalhar com um coreógrafo tão extraordinário na temporada olímpica, que esta experiência venha a ser demasiado difícil de compreender?

Alexander Zhulin – Nem por isso. Eu também trabalho nestes programas e tenho o controlo para garantir que não há desvios da patinagem artística, que o “trabalho de pés” continua difícil apesar da coreografia. Eu vejo que tudo vai ficar bem. Nós escolhemos um tipo de música que eu não quero começar a explicar antes de mostrarmos o programa.

Entrevistador – Mas isto vai ser a Bobrova & Soloviev que nós todos conhecemos e amamos, patinando com o coração?

Alexander Zhulin – Espero que a ideia seja compreendida. O estilo contemporâneo que o Radu (*referência a Poklitaru) apregoa assenta à Katia e ao Dima (*diminuitivos de Ekaterina e Dmitry). Nós trabalhamos neste caminho.

Entrevistador – Não haverá nenhuma auto - flagelação no gelo?

Alexander Zhulin – Não.

Entrevistador: Vai nos fazer recordar a dança dos passados Jogos Olímpicos?

Alexander Zhulin – Não, é uma dança completamente diferente.

Entrevistador – Em que condição se encontravam Sinitsina & Katsalapov quando os recebeste?

Alexander Zhulin – Boa. O mais importante é que o Nikita disse que todas as suas lesões estão curadas e que nada lhe dói. O ombro de Victoria está um pouco dorido mas isso é porque ela se lesionou enquanto praticava novas figuras de elevação. Felizmente não existem lesões. Os atletas estão esfomeados por trabalho e até agora eu estou satisfeito com tudo.

Entrevistador – Então podes dizer que eles não desperdiçaram a época passada que foi dura para eles?

Alexander Zhulin – Eu penso que o problema estava na sua luta com a natureza. Eu refiro-me à técnica diferente em muitos elementos. O meu objectivo reconciliar as diferenças na técnica deles o mais rapidamente possível. Depois eles já não terão dificuldades nos elementos, irão sentir-se mais confortáveis no gelo e terão mais tempo para a coreografia e emoções. Agora existem algumas pequenas dificuldades técnicas que aparecem no caminho deles. Eu estou certo de que eles ainda nem sequer realizaram 30% do seu potencial.

Entrevistador – Eu vejo que eles estão com bom espirito.

Alexander Zhulin – Sim e eu vejo que ter aqui tanto Bobrova & Soloviev como Sinitsina & Katsalapov, coisa que estava a preocupar muitas pessoas… Até agora, eu não quero agoirar mas eu não vejo quaisquer problemas.

Entrevistador – Falando dos problemas técnicos que tu mencionaste, isso significa que os treinadores anteriores – Marina Zoueva, Oleg Volkov, Elena Tchaikovskaya – foram incapazes de resolvê-los?

Alexander Zhulin – Eu nunca falo sobre os meus colegas.

Entrevistador – Ok, então esta incompatibilidade técnica continuou na mesma desde que eles formaram parceria?

Alexander Zhulin – Eu não posso dizer nada porque não trabalhei com eles nessa altura. Agora que os tenho, eu vejo as nuances e tento ajudar. Se eu tiver sucesso.

Entrevistador – Que imagens é que a Victoria e o Nikita nos vão mostrar nesta temporada?

Alexander Zhulin – A dança curta é latina, (*aqui não consegui perceber algumas palavras), mas eu penso que nós encontrámos música fora do vulgar que deverá resultar para eles. É uma dança latina muito fora do vulgar. E, inesperadamente, nós tivemos a mesma ideia para a dança livre. Eu vi-os a patinar em grande, com amplitude, e pensei que Rachmaninoff seria mesmo uma óptima escolha para eles. Eles vieram até mim e a primeira coisa que eles disseram foi “Sasha, o que é que tu pensas sobre Rachmaninoff?” Foi uma escolha mútua. Os meus favoritos são o “Concerto n.º 2” e “Vocalise”, então nós fizemos uma combinação dos dois para o livre.

Entrevistador – Vocês vão incluir a abertura do “Concerto n.º 2”?

Alexander Zhulin – Sem dúvida. Vamos começar a dança com essa parte.

Entrevistador – Este duo trabalha bem temas russos. O programa deve ser um sucesso?

Alexander Zhulin – Eu penso que esta é a equipa que pode mostrar todo o tipo de temas no gelo. Eles ouvem a música, eles são musicais por natureza.

Entrevistador – Então a Vika (*diminuitivo deVictoria) não é apenas uma clássica beleza russa, melódica e a patinar com amplitude?

Alexander Zhulin – Eu espero que ela brilhe. Nos últimos três anos em que eu os tenho visto, ela melhorou significativamente em termos de projecção. Ela começou a transformar-se de uma beleza russa para uma patinadora com uma variedade de emoções. Mas isso necessita de desenvolvimento para termos a certeza que existe um carisma unificado, química, esta ligação mágica entre os patinadores. Que eles não projectem só por si mas como um par.

Entrevistador – A nossa entrevista passada foi intitulada “Ilinykh precisa de Katsalapov”.

Alexander Zhulin – Bem, como treinador penso que sim mas o Nikita tomou uma decisão definitiva sobre a sua parceira e ele não queria ouvir mais nada. Parece que ele se sente confortável patinando e trabalhando com Viktoria. Está tudo bem, eles ainda são uma equipa jovem apesar dele já ser campeão olímpico. Eu penso que eles ainda vão patinar juntos pelo menos por mais cinco anos.

Entrevistador - Houve alguma pressão no Nikita para que ele voltasse a patinar com a sua anterior parceira?

Alexander Zhulin – Não faço ideia.

Entrevistador – Houve um rumor de que eles até chegaram a fazer um teste neste final de temporada.

Alexander Zhulin – Talvez. Eu não sei. Ele e a Vika vieram ter comigo e pediram-me que reunisse com eles e no dia seguinte eles estavam na pista de gelo.

Entrevistador – Tu conheces todos os patinadores de que falamos. Há informação não oficial de que Ruslan Zhiganshin, parceiro de Ilinykh, terminou a carreira competitiva. Tu tens alguns pensamentos na tua mente de que teoricamente pode existir uma situação de passar pelo mesmo rio duas vezes?

Alexander Zhulin – Eu penso que se um casal passar por um divórcio as coisas dificilmente voltarão a ser as mesmas. A patinagem artística é assim. Eles separaram-se e eu não penso que voltarão a estar juntos novamente.

Entrevistador – É o mesmo de quando tu deixaste a Maya Usova pela Oksana Grishuk que depois tentou voltar para o seu anterior parceiro Evgeny Platov com quem venceu duas medalhas de ouro olímpicas?

Alexander Zhulin – Sim, é parecido com isso.

Entrevistador – Então realmente não há problemas com a competição dentro do teu grupo? Porque a nossa mentalidade é assim: há uma nova equipa forte; isto significa que o treinador mudou as suas prioridades?

Alexander Zhulin – O treinador principal tem de ter uma atitude muito simples: ele deve trabalhar honestamente com todas as equipas. Eu gosto de observar o Brian Orser, a Eteri Tutberidze, a Marie-France Dubreuil e o Patrice Lauzon. É um trabalho muito sincero e todos os patinadores têm tudo o que lhes permite patinar e manter o seu destino nas suas próprias mãos. Os mais fracos podem ser deixados para trás mas os fortes prevalecem. Se tu fores forte, tu vais beneficiar de ter competição. Se tu fores fraco, o que é que há para falar?

Entrevistador – Isso é possível aqui?

Alexander Zhulin – Porque não? Quando eu patinava, nós tínhamos um grupo forte: Marina Klimova & Sergei Ponomarenko, Usova & Zhulin, Grishuk & Platov. Resultado: ganhámos todos os lugares no pódio nos mundiais de 1992. Não existam discussões, não havia problemas, todos trabalhavam no duro. A Natalia Dubova (*grande treinadora nessa época) podia afastar-se da pista de gelo. Nós puxávamos uns pelos outros e isso fez-nos crescer.

Entrevistador – Mas provavelmente tu tiveste à mesma de pensar nas palavras certas para dizer à Katya e ao Dima sobre a Vika e o Nikita.

Alexander Zhulin – Nós discutimos esta situação no ano passado. Eu disse-lhes que seria muito bom para eles terem parceiros de treino fortes. A competição não é suficiente, patinadores de elite como Bobrova & Soloviev, precisam de um empurrão adicional em todos os treinos. Se eles forem para o gelo e verem quão bons são Sinitsina & Katsalapov, logicamente que no dia seguinte eles terão de ir patinar o seu melhor. Esta é a minha abordagem. Pessoalmente era o que eu faria. Quando eu via a Marina Klimova e o Sergei Ponomarenko, eu nem sequer podia imaginar que não patinaria o meu programa. Depois quando nós íamos a competições estávamos todos numa forma fantástica. Outro exemplo de grandes parceiros de treinos: Virtue & Moir e Davis & White. Olhando para eles, eu sinto que eles se respeitavam mutuamente, apesar de uma equipa ter relegado a outra para segundo lugar, e quatro anos depois, eles terem trocado de lugar. Existe respeito mas é difícil ganhá-lo. Tu tens de querer ganhar.

Entrevistador – Parece-me que Sinitsina & Katsalapov e Bobrova & Soloviev se respeitam mutuamente.

Alexander Zhulin – Nós só começámos agora. Tudo tem funcionado bem até agora, veremos como vai correr. Eu espero que tudo vá correr bem.

Entrevistador – Na teoria tudo parece bem mas quando tu contaste à Katya e ao Dima que a Vika e o Nikita vinham treinar para o teu grupo, eles questionaram-te?

Alexander Zhulin – Não, eles não fizeram isso. Mas eu vi os seus olhares de preocupação. Ainda ninguém sabia como ia ser. Mas depois de algumas sessões de treinos tudo se acalmou.

Entrevistador – O Katsalapov é famoso por ser emocional no processo de treinamento.

Alexander Zhulin – Há atletas diferentes, alguns são super emocionais, outros são mais calmos. O objectivo do Nikita é manter as suas emoções em ordem, o meu objectivo enquanto treinador é o de controlar a situação. Talvez em algumas ocasiões deixá-lo sair mais cedo do treino, noutras ocasiões encontrar as palavras certas. É difícil treinar um campeão. Tu achas que era fácil com o Roman Kostomarov? Longe disso.

Nota: Roman Kostomarov venceu o título olímpico em dança com Tatiana Navka em 2006.

Entrevistador – Mas, como tu disseste, ele e a Tatiana Navka conseguiam voltar a juntar-se ao fim de cinco minutos.

Alexander Zhulin – Eles eram capazes porque eles queriam vencer. Isso ultrapassa as dificuldades pessoais. Se Sinitsina & Katsalapov não sofrerem com variações emocionais, eles têm um grande potencial. Senão, teremos de conversar, tentar explicar e lidar com eles. Mas agora isso são tudo teorias. Nós estamos a trabalhar na coreografia; o processo de treino ainda não começou exactamente. E eu vou recordar-te que o Nikita e a Lena trabalharam comigo durante quatro anos.

Entrevistador – Eu lembro-me.

Alexander Zhulin – Não foi fácil mas houve resultados e eles foram bons.

Entrevistador – Por outro lado, o Nikita sem as suas emoções não será ele mesmo, não é?

Alexander Zhulin – Com certeza. Tu não podes mudar a pessoa, tu apenas podes mudar a direcção. A maior parte depende do Nikita pois ele já não tem 17 anos. Ele tem de começar a pensar e a compreender o que é que ele quer alcançar.

Entrevistador – Tu disseste que lhes faltava paixão. Disseste que era belo, melódico mas que faltava energia.

Alexander Zhulin – Eu concordo; eu disse isso. Vou tentar resolver essas questões.

Entrevistador – Tu sabes como descontrair a Victoria?

Alexander Zhulin – Eu observo-a e estou a pensar nisso.

Entrevistador – Ela é lacónica, reservada e aparentemente só se abre para o Nikita.

Alexander Zhulin – Para mim, o mais importante é que eles tenham novas cores nos seus programas. Não há o suficiente. Eu preciso adicionar cor à sua patinagem. Para isso eu tenho o Sergei Pethukov, um coreógrafo experiente, que passa muito tempo a explicar o que é que nós estamos a patinar. Se eles aprenderem com ele, ou melhor, se eles quiserem aprender com ele, eles terão um novo visual.

Nota: eu sei que esta última frase está horrível em termos de escrita mas foi o que ele disse.

Entrevistador – Tu tens uma excelente atitude mas parece que as nossas equipas não podem esperar por um lugar superior a quinto nos próximos Jogos Olímpicos.

Alexander Zhulin – Porquê? Bobrova & Soloviev terminaram em terceiro na dança livre deste ano (*referência aos mundiais). Se a nota técnica tivesse sido um pouco diferente na dança curta, nós podíamos ter vencido o bronze. Os Jogos Olímpicos são um assunto diferente pois existe o desporto e existe política mas ninguém pode ignorar a patinagem – o factor de ter um grande programa. Os nossos opositores são muito fortes mas nós vamos tentar lutar.

Entrevistador – Tiffany Zahorski e Jonathan Guerreiro deixaram o teu grupo e mudaram-se para a Elena Kustarova. Parece que eles eram como filhos para ti, que tu cuidavas deles e acreditavas neles.

Alexander Zhulin – Bem… como podes ver, são coisas que acontecem. Alguma coisa deve ter corrido mal.

Entrevistador – Foi ideia deles?

Alexander Zhulin – Sim, claro.

Entrevistador - Eles não queriam ser os n.º 3?

Alexander Zhulin – Essa foi provavelmente a razão principal.

Entrevistador – Tu achas que eles teriam sido capazes de progredir no teu grupo com os membros novos ou isso os teria destruído?

Alexander Zhulin – Eu penso que teria sido difícil para eles. Eles não são o tipo de patinadores que fossem trabalhar duas vezes mais do que as outras duas equipas (Bobrova & Soloviev e Sinitsina & Katsalapov) para provar ao treinador que eles devem ser o par n.º 1. Mesmo em teoria. Eles não estavam prontos para isso.